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Barroco
Barroco (séculos XVI/XVIII – 1580-1756)
Para a compreensão adequada do Barroco, faz-se necessário
retroceder na história e chegar à Idade Média. No período medieval,
a figura de Deus domina toda a cultura, gerando uma
visão de mundo denominada teocentrismo, ou seja, Deus é
considerado o centro do universo. Assim, a vida terrena, material,
parece algo passageiro, um estágio em que o homem prepara
sua alma para a salvação ou para a danação eterna. Nos
séculos XVI e XVII, grandes mudanças políticas, econômicas e
filosóficas consolidam uma tendência oposta, conhecida como
Renascimento, que conduz a uma nova maneira de enxergar
o mundo: o antropocentrismo, isto é, o homem considerado
como sendo o centro do Universo. O espiritualismo e a religiosidade
medievais cedem lugar à valorização dos aspectos materiais
da existência. O teocentrismo entra em declínio e a Igreja
começa a perder sua liderança. Isso não significa, entretanto,
que a religiosidade medieval tenha desaparecido. Ela apenas
perde sua predominância, mas continua existindo em estado
latente, para tornar-se de novo evidente na época do barroco.
O nome barroco tem origem, provavelmente, numa palavra
utilizada no século XVI para designar um tipo de pérola que
tinha forma irregular. A palavra “irregular” é bem adequada
para o caso, pois mostra uma das características fundamentais
do estilo barroco: a tensão, que é consequência de uma visão
de mundo que procura conciliar tendências contraditórias (o
teocentrismo medieval – Deus considerado o centro do universo;
e o antropocentrismo renascentista – o homem considerado
como sendo o centro do universo), uma visão de mundo que
busca a fusão do velho com o novo.
Principais autores e obras:
Padre Antônio Vieira (Sermão
de Santo Antônio aos peixes; Sermão da Sexagésima; Sermão
pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda).
